quinta-feira, 30 de setembro de 2010

de um homem como outro qualquer

- rabiscos teus servem para quê!? -
debocham os indiferentes ao rabiscador
e s'eu, lírico ou não, só silêncio
cerra os punhos e... soca a sordidez:
para desnaturalizar o que apodrece a língua
desnaturalizar o que encarece
as coisas do mundo, empobrece
as coisas da vida, adoece
a humanidade que há tempos
se auto-carece no indivíduo homem...
tornando-o deserto, lugar criadouro de miragens
eis os intentos destes rabiscos
cutucar e chamar pra porrada dialógica
o hominídeo sem co'nside'ração e os acomodados
em defesa daqueles que com suas fomes sofrem
e daqueles que com ardor criativo e dedicação
e percebendo o injusto e o alto custo da justiça
expressam sua revolta estampando-a na cara
e lutam juntos, não pelo cumprimento do que é Legal
mas pelo acontecimento do Legítimo ao povo

Como Ex'triangular um Quadrado Esférico

eu estou bêbado (6x)

não venha me aborrecer
que eu estô bêbado
não venha fazer crer

me pise, me cuspa
mas não deslize
que seu egoísmo
não me ofusca

você até me enforcar
que quando eu voltar
vou me vingar rxa rxa rxa... iii...
logo eu que não acredito
em fantasma e em ressurreição

me deixa viver
me deixa ter prazer
me deixa sofrer
me deixa morrer
me deixa ser o que eu quiser

uma névoa, uma nuvem
um arco-íris, um vírus
me deixa! que ainda é cedo
deixa! deixa!! eu ser
uma substância cósmica mais pura
que possam sentir ou respirar...
mais a quem é atroz vai sufocar!!!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

à comunidade

da diversidade, a unidade
a unidade em comum, a comunidade, que...
eu tu ele nós
vemos revemos e escrevemos...
e reescrevemos,
a nossa identidade plural
presos ao infinito mundo
da literariedade
do banal, livres libertos libertados
pra fazer da arte a nossa mais verossímil realidade

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

famintos

um bicho que não mora no fundo do rio
nem vive embrenhado nas matas
mas pisando no asfalto entre muros e fachadas
um estand'arte ao relente

bicho medroso... corri do pau!
do Paulo Corrêa entre murros cacetadas e facadas
na ponte do homem, enquanto era revistado pelos zomi
olhei pra Passargada e pensei na outra
na do Bandeira, a verdadeira
- quanto vale a utopia, bicho?!

na praça dos Bois, quase virei capim
pisoteado por bípedes
na praça da Liberdade, quase tiraram-na de mim
- qual é a sua, bicho?!

em frente ao sagrado, o profano
avistado pelo homem santo digital acima do totem de metal
desnorteado no norte, matei minhas eternas esperanças
fumando minhas amargas reminiscências
na praça Eduardo Ribeiro, sem dinheiro
sem a dignidade dos moto-taxistas e tricicleiros
o bicho berrou por míseros trocados. nada!!!

trêmulo desci ao píer digital
olhei pra praça dos Comunas
mas eles não a frequentam mais
olhei pros bacanas digitais acima e se perguntou
- quem inventou os degraus sociais?!

ficou avistando os barcos no beiradão
levam e trazem, trazem e levam...
grana, dívidas, dúvidas
alimentos, lamentos e doentes

cansado, muito cansado da vida, bicho!
fiz muito coisa boa e muita coisa errada
só não aprendi a ser gente
a hipocritamente ser gente

ninguém valorizou o bicho que fui
fui muita coisa errada, mas também muita coisa boa
por que me destruí?! nunca respondi
nunca soube responder! não tive tempo
tempo pra mim, tempo como sinônimo de oportunidade
quando comecei a infringir as leis
logo taxaram-me de vagabundo!
desocupado! marginal! ladrão! maconheiro!
nunca me perguntaram quantas vezes por mês vou ao cinema
se já fui ao teatro e/ou ao museu alguma vez na vida
quantos livros eu leio por ano
e meus filhos, assim como eu, não sofrem diariamente fomes
além da de comida..., a falta de alimento pra cabeça

cansado de ser bicho, e antes que eu enlouqueça,
lanço-me ao corpo do rio

o nome do bicho era zé, mané, lelé,
só mais um como outro faminto qualquer
que as correntezas avarentes da vida levam o brio...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

literatura


a prosa e o verso faceiam
a moeda simbólica da conotação
que junto com a denotação
adornam ao homem
a comunicação

terça-feira, 21 de setembro de 2010

discrição

visceral
comum ininterrupto
público inrelativo
ao povo
privado ao indivíduo
gozo lascivo

posso fazer democraticamente
a coisa que não procuro fazer
deliberamente
a coisa que me dá prazer
quando estou fazendo
discretamente

no escuro, no claro ou a meia-luzes
meia-lua, meio-dia ou meio-conhaque
atrás do muro, no mato ou no quarto
entre quatro paredes ou ao ar livre
na cama, na rede ou em cima da mesa
qualquer lugar de qualquer natureza

coisa que não falo...
aberta’mente
nem fechada’mente

(“falo”, gosto de guardar segredos!)

quando ninguém

quando alguém
diz-se ninguém
acha-se perdido
vi-
vendo morto morr-
ido
dizendo amém

sendo ninguém
tudo lhe é nada
e ser nada é tudo
no aquém ...
e no além-i’mundo...
a chapar-se de poeira cósmica!