quarta-feira, 3 de novembro de 2010

microfones sabichões

tem Microfones que se acham
que se acham donos da verdade
que demonstram saber tudo ou muito
mentira! na verdade, sabem muito, mais muito
muito pouco ou quase nada

vossas notícias, pro'pagandas,entretenimentos
e programações ditas sociais
quando não visam a visão ideológica
do patrão e/ou dos patrocinadores, seus fatos reais, digo, em reais
visam inescrupulosamente os altos índices de audiência
nossa! que falta de decência, Microfones!

acham coop-compradamente convictos que devem
botar quem tem chão, teto e porta contra quem não os tem
quem tem roupas, calçados e jóias de marcas chiques
contra os que também são cheios de marcas, marcas doídas
hematomas, cicatrizes e sequélas de uma vida sofrida
e botar a maioria do povo, que não lutam
que não vão pra rua lutar nem pelo básico pra sub-existir
contra os que vão, muitas vezes, em vão
que os Microfones Marrons os menosprezam, ignoram, discriminam
rogando pelo amor de Deus ao Estado que desbloqueie a rua
disperse os mani'festantes (da festa que não era festa!)
prenda os mais exaltados
e restabeleça, assim a "Ordem social",

é, os Marronzinhos intimam as autoridades
à restabelecerem a ordem social
éh, a HIPÓCRITA ordem social

abaixo os microfones com visão de mundo,
de mundinho fechado, particular, de interesses particulares
que aceitam controles privados
e não, tão somente,o bom senso da consciência social

a partir do dia que deixarem de serem Microfones hipócritas
passando a veicular a verdadade, somente a verdade
nada além da verdade
ajudarão a construir a consciência do povo!
o bem-estar coletivo, a justíça social
pessoas autônomas, autogestoras, mais humanas
enfim, Microfones não mais hipócritas, ajudarão a construir
na plenitude da palavra, cidadãos!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

sem coletivismo

onde cinza-se a vida sobre a terra
não há progresso inteligente
só estupidez brotando
dos encéfalos
no topo da cadeia alimentar

onde chaminés só buscam lucrar
que se danem os pulmões
que se dane o povo e suas razões
o que importa é lucrar
e a cada dia mais
lucrar lucrar e lucrar...
pras chaminés, só importa saciar
as próprias ambições

onde as águas são mágoas turvas
cheias, de cardumes, de lixos-nobres
há gente e bichos, doentes do corpobres
e gente não-gente, doentes da mente
onde achar-se-á o unguento
se não no educar-se sem hipocrisias
no conhecer, consciente, a si e ao mundo

desenvolver!... por que não se busca
sem destruir do início ao fim
da matéria e das matérias
destruindo o meio e os meios!?
desenvolver?... por que não se busca
encontrando um meio
para distribuir igualitariamente
o, antes, de poucos, à todos,
o imenso lucro?!

que sem ismo coletivo, não haverá desenvolvimento
por muito tempo... e logo logo
nenhum meio de auto-sustento
que mas'cara-se ambientes
alienantes atrás de um muro
a serviço de homens-hades
é, sem bom senso, e senso de coletividade
haverá futuro...?!?

o que durou bilhões de anos para ser mundo
o nosso mundo, e de poucos
em pouco tempo voltará a ser pó
cósmica poeira, e nada poética!

...será?!?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

arguição

somos o presente
mas não o presente
-isso é coisa boa?
droga...!

dinossauros
vocábulos in-úteis
in-significâncias
...que mundo!

não é dos meus pais
nem dos meus filhos
entre foram e serão
o culpado é, sou eu
ora,, o mundo é meu

presente indesejado
inocentes e/ou culpados!?
homens que saciam-se
com o esforço suplicante
dos miseráveis

bolas,, pobreza nunca será bela
mas pobre sempre terão
sonhos pesados e vazios
colhendo a arte de viver
pesadêlos reais
e alguns instantes de prazer

democracia com plutocracia
não devia rimar
mas rima

que droga que roga
da íngua da língua

pobre é nobre
mas não, rico

que venha a putocracia
o poder dos putos
porque não podem...
contra as injustícas do poder
contra a sacagem dos que podem
que podem transformar
propriedades privadas
em bens públicos
mas nada fazem
que o sistema não lhes domina
apenas o corpo
mas também a alma
e o espírito muito pior que o de porco!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

dança das andanças

o apático virou peregrino
o menino, homem menino
nas grandes cidades
em busca do seu destino
ou, ao menos, de mais idade

que há uma hélice arrotando no medo

parem a rotação os temores
desliguem os motores
parem a locomoção do caos
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- exclamam as interrogações

...

olhem, é sangue, é cedo
e a vida escorrendo
pelas pontas dos dedos
o mortal, e o segredo
???????????????????????????
- interrogam as exclamações

...

que o não-júbilo também jubilam

fraseado (dadá chapada)

arcos e flechas, capivara
macho
não temos asas pra caçar
submarinos
pa'i'xão é só um passageiro
a mais
no barco aéreo do traidor

animais não falam mas ouvem a surdez
a chuva molha, a nuvem ex-fez-se
sorriso falso e falso pudor
bons livros bocejam
verdades

as estrelas ex-tão distantes
do mar podemos alçá-las pro alto
nova'mente... os relógios atrasam o açucar
guilhotinas de brilhantes
lágrimas

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

o canto dos grilos

daqui é impossível ver as estrelas da lebre
não sinto mais as fustigadas do açoite
ainda estou tentando escrever alguma coisa alegre
sob as doze badaladas da meia-noite
e a inércia do vento frio aumentava o calor da febre

olhei para a rua que já estava vazia
para a lua que já se recolhia
não achei nenhuma inspiração
olhei para dentro de mim
e o que vi foi uma tristeza sem fim
o que ficou de uma ardente paixão

a única coisa que soava naquele profundo silêncio
era uma nuvem, grilos que soavam sem parar
isso me abatia ainda mais
meus ouvidos mergulhavam naquele estridular
quando não se pode mudar nada se faz

desisti depois de tanto tentar
exausto deitei mas não consegui dormir
meus olhos estão fixos no que não está
do que acho que já perdi
lembro de tudo que eu dizia
e de todas as loucuras que por você eu fazia
lembro do seu rosto a corar
e nossos olhos a brilhar, quão doce fantasia
sozinho volto a tentar, mas ainda tenho os grilos como companhia

acreditávamos
na união do espelho de Afrodite com a lança de Aires
na pureza dos desejos da nossa troca de olhares
a solidão não era bem vinda
agora vejo um fogo que não arde
e pra falar a verdade, mesmo sem você
sempre te acharei linda


(10/12/2000)

nitidez turva

solípso oceano tempestade
encontro shakspear dantesco
sentindo infeliz potestade
veemente desejo pitoresco
utópico açoite dramático
será assim vazia vida viver
sorridente faceta carismática

lástimas pesadêlos extermínio
serena aurora socrática
caminho buscando destino
supérflua consciência lunática
sentinela desdenha felicidade
será assim neutra vida viver
almejo vértice verdade


(Parintins, agosto de 2000)